A disrupção no imóvel próprio e o mercado de trabalho para designers de interiores em residências ou apartamentos num futuro próximo.

Adoro iniciar uma conversa sobre mudanças com a afirmação do I Ching: A única verdade é a mudança.

A ideia da imobilidade que dá segurança é uma criação humana pois desde a menor partícula do átomo até o macro cosmo, tufo está em constante movimento.

Mas nesse artigo vamos falar sobre disrrupção. Esse conceito é bastante recente e vem atormentando empresas, profissionais e negócios em geral.

Sua acepção na teoria dos negócios é que na inovação disruptiva, se criam novos valores, conceitos e network, com base na revogação do estabelecido e aceito.

Li uma afirmação de que se o Uber substituiu o sonho de ter seu próprio carro, o co-living substituirá o sonho de ter a casa própria, o coworking ou compartilhar de um mesmo espaço de trabalho, por profissionais de áreas diversas, acabará com os escritórios de uma empresa somente.

O Airbnb, que revolucionou o espaço de hospedagem e tantos outros exemplos são todos cases de disrrupção, onde havia uma grande necessidade ou demanda reprimida e essas startups na época foram tomando o seu espaço graças ao atendimento dessas necessidades.

Primeiro temos que olhar a disrrupção, como um ato que procura um atalho para a implantação de uma solução não convencional para solucionar questões que já se apresentavam como demanda reprimida no mercado ou sistema e claro não eram atendidas pelo que estava oferecido. Temos aí que considerar fatos como: o mercado foi atendido pelo Uber onde uma pessoa que tenha seu próprio carro possa trabalhar com ele num sistema bastante estruturado e assim mesmo não tendo um táxi, ela pode fazer esse serviço, com conveniências de uma atividade profissional.

Neste exemplo do Uber, acredito que os Táxis tenham demorado para implantar inovações como pagar a corrida sem tocar em papel moeda, chamar o táxi pelo aplicativo. Por isso tudo que vimos, em termos de facilidades criadas e demora de inovar dos táxis, se deu o espaço para o Uber surgir como um disruptor.

A pergunta é: o Uber acabou com o taxi, ou como se diz na afirmação inicial com o sonho de comprar o carro próprio, a resposta é não!

Aí nessa esteira temos o Kindle, ou livro digital que surgiu com a profecia de acabar com o livro de papel.

Aconteceu?

Não, nesse caso o Kindle é que atualmente está moribundo!

Estamos em tempos diferentes e com isso vivemos soluções diferentes, mas propagar o fim do projeto de interiores residencial ainda me parece muito prematuro pois de toda forma para se estabelecer uma implantação de móveis, objetos, funções, mood, ainda se faz necessária a presença de um profissional seja para um imóvel, próprio, alugado ou compartilhado.

Como diria Z.Bauman, de Os tempos líquidos, as regras estabelecidas mudam, não são tão perenes quanto antes, o mindset também rapidamente muda, mas é preciso observar que muitas empresas que se firmaram na disrrupção, atendem um público específico, estão convivendo com o mercado que podemos chamar de tradicional e elas não foram capazes de per si alterar um mindset mas esses modelos de negócio trouxeram inovação e não uma revolução total. Resumindo, o Uber não exterminou o Táxi, o Airbnb não fechou todos os hotéis, o Kindle não matou o livro, mas já moribundo deu mais valor ao livro e serviu de reflexão para que as pessoas valorizassem o cheirinho de papel o manusear um livro impresso e a maneira de se ler.

Para concluir, acredito que o co-living será mais uma opção ou oportunidade para um público específico. A ideia de ter uma casa, seu próprio espaço, com atendimento em suas particularidades não será abandonada tão cedo.

O mercado imobiliário é um mercado muito flexível e rápido, sendo assim ele atende com mais facilidade as mudanças de demanda e mudanças de público. Historicamente desde de a antiguidade se busca ter espaço para se poder viver com as suas necessidades atendidas e além disso o mercado não se extinguirá para o serviço de interiores residenciais, ainda que fosse em tese o apogeu do co-living, as necessidades ainda continuariam por serem atendidas em forma, função e atmosfera, por que o lugar que se habita independente de dimensões, tem sempre a função de atender ao ser humano que por si só é um indivíduo único.

Na minha reflexão vejo vida longa para esse mercado de projeto de interiores residenciais, enriquecido de muitas variáveis possíveis como a do co-living, claro, mas talvez a previsão da mudança inexorável não venha se materializar tão cedo.

Maitê Orsi

Links para saber mais:

I Ching : https://www.amazon.com.br/gp/aw/s//ref=mw_dp_a_s?ie=UTF8&i=books&k=Richard+Wilhelm+%28org.%29

Zigmunt Bauman: https://www.amazon.com/kindleauthor/ref=mw_dp_a_ap?-dbs/_encoding=UTF8&author=Zygmunt%20Bauman&searchAlias=books&asin=B000APS9V2

Disrrupção: https://www.amazon.com.br/Disrup%C3%A7%C3%A3o-inova%C3%A7%C3%A3o-Jeff-Howe/dp/8550801909?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_54292137521_242594579893_pla-441406674668_m_#aw-udpv3-customer-reviews_feature_div