Entre o minimalismo o e o maximalismo, qual é a dose certa?

Você já perguntou se a sua casa tem coisas além do que deveria ou menos do que gostaria?

Less is more ou menos é mais!

Nos vemos em um dilema quando falamos sobre nossos ambientes internos, este dilema está em cada objeto, móvel, prateleira, acessório, cor, revestimento, que podemos incluir ou excluir.

Temos que partir para esta nossa análise, se a sua casa ou escritório estejam em ordem e não  passando por um momento de acúmulo temporário, que seria algo prestes a ser resolvido.

Entendendo o Minimalismo:

O minimalismo é um movimento na arquitetura e design que prega e defende o essencial, sem nada que possa ser acessório ao que é estritamente essencial. Podemos dizer que é uma   tentativa de manter o máximo do espaço vazio. Caracterizado por objetos essenciais, cores claras e sólidas. Se caracteriza hoje como um estilo de vida, como tudo na estética, influencia a moda, escolhas de modo de consumo.

Sugiro o filme: Minamalism: a Documentary About the Important Things, disponível no Netflix.

E o maximalismo:

O maximalismo, termo usado aqui em sentido estético, será o seu oposto, onde se esbanja o que é supérfluo, onde a abundância se torna redundante, não há espaço vazio. Caracterizado por cores mais fortes, multiplicidade de peças em cada centímetro do espaço.

More is more ou mais é mais!

Qual a melhor medida?

O dilema está não só no tipo, mas na quantidade, no tipo de serviço ou recurso que este objeto trará para o espaço.

Dilema este que nos coloca uma vontade de saber o quanto somos dos extremos ao meio, como em uma régua graduada de 30 centímetros que inicia-se no mínimo ou o zero, o essencial é a cada milímetro se ganha novas funções e adereços conforme vamos nos dirigindo ao final, dos 30 centímetros ou ao máximo do maximalismo, onde quase tudo soa como exagero e o espaço dá a sensação de não ter um centímetro se quer, sem estar preenchido. 

Ótimo, já temos a nossa escala estabelecida, para termos uma medida para objetos e informações dentro de um ambiente, mas agora temos que considerar o ambiente e aquele que o constrói.

Como o ambiente é uma criação humana, temos que ver isto dentro do contexto humano.

A nossa medida pessoal:

Sem dúvida lembrar que cada um de nós é um indivíduo único, teremos que classificar uma régua infinita, mas assim não vamos chegar as conclusões necessárias, para isto vamos levar em conta alguns traços de personalidade.

Também temos que considerar que o que é exagero para uns estará na medida para outros.

Na dúvida entre “Less is more ou More is more” (Menos é mais ou Mais é mais), fique na sua medida ou se quiser cauteloso fique na média, ou próximo ao meio na régua, mais longe dos extremos. 

O nosso ambiente é a expressão de como somos e como nos sentimos, assim sendo não existe certo ou errado, mas sim o serve para você!

Uma boa palavra talvez seja:  Suficiente, ou aquilo que nos basta.

Ao olharmos o consumo responsável que tem sido um dos aspectos importantes em nossos dias, pois o problema não está no ato de comprar mas na compra compulsiva, em busca de novidade ou termos sempre o que há de mais novo, sem avaliarmos o impacto disso no meio ambiente por exemplo e o quanto estamos acumulando coisas sem propósito em nossas vidas.

Como funciona a questão atualmente:

Acredito que possamos optar por materiais mais qualificados, bom design pois boas peças sempre tem um lugar duradouro nos espaços, veja o exemplo do Vintage. 

O Vintage é  uma referencia à produção plural de bom design no século XX e que representa um selo de qualidade em razão do design atuante e que produziu inúmeras peças que hoje chamamos de clássico, não por serem do estilo clássico mas por terem a durabilidade estética, tornando-as referencia de elegância e qualidade.

Este e apenas um dos exemplos de bom uso da qualidade e design para enriquecerem nosso ambiente visualmente.

Temos espaço para sermos quem somos em nossa casa ou escritório, a estética e as nossas escolhas são uma forma de expressão, a reflexão sobre o tema minimalismo x maximalismo nos leva a olhar para nós mesmos, nosso espaço ou o templo (casa) do nosso templo (corpo) e para o meio ambiente e termos mais conhecimento e segurança para direcionar nossas futuras escolhas do que colocar ou tirar do nosso espaço.

Espero que tenham gostado e gostaria de te perguntar: Na sua casa quem está vencendo, em que medida, lembrando que o zero na régua é o máximo do minimalismo e o 30 é o máximo do maximalismo, onde você está?

Se a duvida ficou grande demais, faca contato que ajudaremos a resolver isso com bom projeto, boa assessoria e ótimos resultados.

Beijos e obrigada por estar conosco.

Maitê 

A disrupção no imóvel próprio e o mercado de trabalho para designers de interiores em residências ou apartamentos num futuro próximo.

Adoro iniciar uma conversa sobre mudanças com a afirmação do I Ching: A única verdade é a mudança.

A ideia da imobilidade que dá segurança é uma criação humana pois desde a menor partícula do átomo até o macro cosmo, tufo está em constante movimento.

Mas nesse artigo vamos falar sobre disrrupção. Esse conceito é bastante recente e vem atormentando empresas, profissionais e negócios em geral.

Sua acepção na teoria dos negócios é que na inovação disruptiva, se criam novos valores, conceitos e network, com base na revogação do estabelecido e aceito.

Li uma afirmação de que se o Uber substituiu o sonho de ter seu próprio carro, o co-living substituirá o sonho de ter a casa própria, o coworking ou compartilhar de um mesmo espaço de trabalho, por profissionais de áreas diversas, acabará com os escritórios de uma empresa somente.

O Airbnb, que revolucionou o espaço de hospedagem e tantos outros exemplos são todos cases de disrrupção, onde havia uma grande necessidade ou demanda reprimida e essas startups na época foram tomando o seu espaço graças ao atendimento dessas necessidades.

Primeiro temos que olhar a disrrupção, como um ato que procura um atalho para a implantação de uma solução não convencional para solucionar questões que já se apresentavam como demanda reprimida no mercado ou sistema e claro não eram atendidas pelo que estava oferecido. Temos aí que considerar fatos como: o mercado foi atendido pelo Uber onde uma pessoa que tenha seu próprio carro possa trabalhar com ele num sistema bastante estruturado e assim mesmo não tendo um táxi, ela pode fazer esse serviço, com conveniências de uma atividade profissional.

Neste exemplo do Uber, acredito que os Táxis tenham demorado para implantar inovações como pagar a corrida sem tocar em papel moeda, chamar o táxi pelo aplicativo. Por isso tudo que vimos, em termos de facilidades criadas e demora de inovar dos táxis, se deu o espaço para o Uber surgir como um disruptor.

A pergunta é: o Uber acabou com o taxi, ou como se diz na afirmação inicial com o sonho de comprar o carro próprio, a resposta é não!

Aí nessa esteira temos o Kindle, ou livro digital que surgiu com a profecia de acabar com o livro de papel.

Aconteceu?

Não, nesse caso o Kindle é que atualmente está moribundo!

Estamos em tempos diferentes e com isso vivemos soluções diferentes, mas propagar o fim do projeto de interiores residencial ainda me parece muito prematuro pois de toda forma para se estabelecer uma implantação de móveis, objetos, funções, mood, ainda se faz necessária a presença de um profissional seja para um imóvel, próprio, alugado ou compartilhado.

Como diria Z.Bauman, de Os tempos líquidos, as regras estabelecidas mudam, não são tão perenes quanto antes, o mindset também rapidamente muda, mas é preciso observar que muitas empresas que se firmaram na disrrupção, atendem um público específico, estão convivendo com o mercado que podemos chamar de tradicional e elas não foram capazes de per si alterar um mindset mas esses modelos de negócio trouxeram inovação e não uma revolução total. Resumindo, o Uber não exterminou o Táxi, o Airbnb não fechou todos os hotéis, o Kindle não matou o livro, mas já moribundo deu mais valor ao livro e serviu de reflexão para que as pessoas valorizassem o cheirinho de papel o manusear um livro impresso e a maneira de se ler.

Para concluir, acredito que o co-living será mais uma opção ou oportunidade para um público específico. A ideia de ter uma casa, seu próprio espaço, com atendimento em suas particularidades não será abandonada tão cedo.

O mercado imobiliário é um mercado muito flexível e rápido, sendo assim ele atende com mais facilidade as mudanças de demanda e mudanças de público. Historicamente desde de a antiguidade se busca ter espaço para se poder viver com as suas necessidades atendidas e além disso o mercado não se extinguirá para o serviço de interiores residenciais, ainda que fosse em tese o apogeu do co-living, as necessidades ainda continuariam por serem atendidas em forma, função e atmosfera, por que o lugar que se habita independente de dimensões, tem sempre a função de atender ao ser humano que por si só é um indivíduo único.

Na minha reflexão vejo vida longa para esse mercado de projeto de interiores residenciais, enriquecido de muitas variáveis possíveis como a do co-living, claro, mas talvez a previsão da mudança inexorável não venha se materializar tão cedo.

Maitê Orsi

Links para saber mais:

I Ching : https://www.amazon.com.br/gp/aw/s//ref=mw_dp_a_s?ie=UTF8&i=books&k=Richard+Wilhelm+%28org.%29

Zigmunt Bauman: https://www.amazon.com/kindleauthor/ref=mw_dp_a_ap?-dbs/_encoding=UTF8&author=Zygmunt%20Bauman&searchAlias=books&asin=B000APS9V2

Disrrupção: https://www.amazon.com.br/Disrup%C3%A7%C3%A3o-inova%C3%A7%C3%A3o-Jeff-Howe/dp/8550801909?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_54292137521_242594579893_pla-441406674668_m_#aw-udpv3-customer-reviews_feature_div